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DROGAS: COMO CONVIVER COM ELAS?

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Davi Henrique

Há alguns anos me encontro distante da grande maioria das Redes Sociais, mas não resisto provocar as pessoas a refletirem um pouco sempre que me deparo com o assunto das drogas, seu uso e suas causas. Quando falo em reflexão, o que desejo é mente aberta para a mudança, para a quebra de paradigmas e isso acontece comigo vez em quando, o que me envaidece muito. Mudar é bom.

Embora a politica antidrogas esteja atrelada a outras politicas de Estado (ou a falta delas), gostaria de me posicionar mais no campo das drogas e começo com perguntas para a reflexão de cada um que aqui compartilha dessa leitura.

Nosso modelo repressivo, de embate militar (Policia Militar com as atribuições que temos aqui, só existe em Sociedades pouco evoluídas), funcionou ou funciona nos dias atuais??

Está mais difícil comprar drogas no Brasil??

Diminuiu drasticamente o número de pessoas (leia-se Pretos e Pobres na sua enorme maioria) assassinadas por esse modelo repressor??

Diminuiu o número de usuários das drogas que são consideradas “proibidas”??

Nossos presídios (amontoados de pessoas de baixo conhecimento e poder aquisitivo, que não são controlados pelo Estado e sim pelas Organizações Criminosas) estão com menos pessoas a cada ano, principalmente jovens que são nossa força de trabalho??

Atualmente, ocupamos o quarto lugar em população carcerária no mundo. Nos últimos 20 anos (1990 – 2010), nossa população carcerária cresceu 450%. No mesmo período, nos EUA (que não são um modelo a ser seguido) cresceu 77%, na China 31% e na Rússia, 17%. Com a projeção desses números, em 2034, passaremos os EUA e teremos quase 2,5 milhões de pessoas presas. 68% da população carcerária no Brasil em 2017 é formada por pessoas analfabetas ou sem o nível básico completo. E mais, 67% são negros, cerca de 64% das mulheres encarceradas e 25% dos homens, está por tráfico de drogas (pode ser 5 cigarros de maconha para ganhar o pão),

Enquanto pensamos nas respostas, vamos colocar outras ponderações. Não, absolutamente esses números só aumentaram e, se tivermos uma visão mais sistêmica do mundo que nos cerca, veremos que esse problema é coroado, é alicerçado pela hipocrisia, principalmente quando se pensa religiosamente em contra partida a um pensamento mais humanitário, mais voltado para a Sociedade em si, para o bem comum. Os números só aumentam. Isso faz parte de uma sociedade que não aceita as diferenças, que insiste num modelo único para seus cidadãos como se fossem soldados numa Caserna, onde a opinião sobre as coisas é irrelevante em ralação um comando, uma postura maior. Não somos soldados, somos pessoas que pensam, mas deveríamos pensar muito mais.

A ONU concluiu um estudo (se não me engano em 2013) onde fizeram a seguinte colocação sobre as drogas que mais conhecemos em grau de perigo, de probabilidade de causar algum tipo de dependência:

1º Lugar: Álcool (70%).

2ª Lugar: Cocaína (31%) e assim sucessivamente até a maconha com cerca de 13%. No meio dessas estão a heroína e Crack (que é o sub produto da cocaína). O álcool, apesar de ser a droga mais perigosa dentre todas essas outras conhecidas, é liberada e ainda bem que é assim. Quando tentaram a lei seca nos EUA, em 1920 (e que durou longos 13 anos), o tráfico de bebidas alcoólicas subiu assustadoramente e, pessoas como Al Capone, por exemplo, amealharam uma fortuna quase imensurável e mataram pessoas que cruzassem seus caminhos em sentido contrário, óbvio. A violência explodiu e a Policia fazia o que faz aqui hoje no Brasil (a história se repete a não aprendemos ainda): Reprimia.

O cigarro ganhou uma campanha anti tabaco no Brasil, elogiada mundialmente. Diminuímos a níveis quase insignificantes o número de fumantes em 20 anos, o que foi socialmente maravilhoso, principalmente para os não fumantes como eu. Na Europa, que até 2009 era impraticável entrar num Bar seja na Espanha, Portugal ou França, pois só haviam fumantes, criaram leis, não proibindo o uso de cigarros, mas ordenando seu uso em relação aos locais onde não se poderia utilizá-lo. Nunca proibir que uma pessoa faça a escolha de usar ou não seu cigarro. Esses ambientes hoje estão “limpos”.

O Estado (principalmente esse nosso Estado Corrupto, Perdulário e Incompetente) não pode dizer o que fazemos dentro de nossas casas. Já somos suficientemente espoliados pelo mesmo a cada minuto, com a quantidade de impostos que pagamos, com os serviços que não retornam, com a dificuldade de uma pessoa séria, correta, que quer empreender, tem para conseguir saber se paga corretamente seus impostos ou não. Só cria dificuldade para “vender” facilidades. Esse Estado existe para se sustentar e não para prover os bens mais preciosos que uma sociedade necessita e paga. Esse Estado teria de lidar com uma forma de prover a felicidade comum e não de cuidar de seu umbigo.

Portanto, a EDUCAÇÃO ainda é e sempre será a melhor forma de construção de uma sociedade. Esse modelo repressivo só nos leva á corrupção dos servidores públicos e outras formas nocivas de relação social.

Para terminar, por falar em maconha, a Canabis é a planta mais perfeita que evoluiu na natureza ao longo de milhões de anos. Poderíamos citar alguns exemplos:

1 – Para fazer roupas, acabaria com a contaminação de mateais pesados nos solos (lençol freático) onde hoje se planta algodão, devido ao uso desenfreado de inseticidas. Isso acontece, também, porque a Canabis é uma planta com muita facilidade de seu cultivo de forma orgânica, natural. Com isso, imagina como reagiria a Mega e poderosíssima Indústria química dos inseticidas?

2 – Sua semente, pela alta concentração de fibras, aminoácidos e ácidos graxos essenciais, como os ômega 3 e 6, poderia ser utilizada na merenda escolar, por exemplo, em locais mais pobres.

3 – O Canabidiol se revelou a forma mais eficiente (quase eficaz) na luta contra algumas doenças como epilepsia, mal de Parkinson, paralisia cerebral e, principalmente as convulsões, entre outros. Só quem tem um filho ou ente querido com uma dessas doenças sabe o que significa esse tratamento.

4 – São cerca de 21.000 motivos para cultivarmos a Canabis.
Com 21.000 motivos para ser liberada e cultivada, a Canabis também tem o THC, que é utilizado como narcótico.

Já utilizamos a “Lei Seca” para o controle do uso de álcool pelos motoristas, que sejam também para quaisquer drogas. Coloquemos a responsabilidade pelo uso em cada cidadão, com leis bem feitas e que possam punir os que fizerem opção por utilizar e dirigir seus veículos. JAMAIS o Estado pode assumir o papel de guardião e tutor de seus cidadãos.

Vamos pensar num modelo de sociedade onde as pessoas tenham liberdade de fazer o que bem entenderem de suas vidas e que saibam respeitar a liberdade e o prazer alheios. Uma sociedade com conceito de cidadania e não provida com doses cavalares de Egoísmo, como somos hoje. Não pode ser cada um por si, mas todos por todos.

A felicidade é interior. Cada cidadão busca sua forma de ser feliz. Uma sociedade busca a felicidade mútua.

Que a educação seja a prioridade do Estado.

 

Davi Henrique

Engenheiro Eletrônico e Ambientalista.

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