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ESPORTE, MEIO AMBIENTE E TURISMO

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Há muito sabemos que o turismo é, sem dúvida, a maior e mais sustentável fonte de receitas para uma comunidade. Trata-se de um dinheiro “limpo”, que gera empregos e impulsiona a economia local. Como Rio-bonitense tentei, por várias vezes, defender nossa cidade diante de especulações sobre o fluxo de turistas, papo de bar mesmo, nada formal. E a pergunta se repetia: O que levaria alguém a visitar Rio Bonito visto que, em termos de belezas naturais, existem várias cidades próximas bem mais atrativas? Se olharmos ao redor, Silva Jardim e Cachoeiras de Macacu, por exemplo, têm um potencial bem mais relevante em termos de rios limpos e de cachoeiras. A região litorânea possui uma tendência natural pelas praias, principalmente se partirmos de Saquarema para o norte do Estado, até Búzios e Rio das Ostras. Então, mais uma vez me vem essa pergunta: Como poderíamos atrair turistas de forma cíclica para nossa cidade e o porquê colocamos o esporte e o meio ambiente nesse assunto? Qual a relação entre eles?

Bom, vamos tentar juntar e entender essa relação tão próxima e, às vezes, dependente.

Durante alguns anos me envolvi muito diretamente com o Meio Ambiente. Fui fundador, ao lado do Advogado e atual presidente a OAB de Rio Bonito, Cesar Sa, da ONG Serra do Sambê, uma Organização do terceiro setor que atuou com educação sócio ambiental por cerca de oito anos, principalmente com crianças de escolas locais. Como presidente dessa Instituição, adquiri uma visão mais sistêmica da questão ambiental em nosso município e não separá-la jamais do fator social a que se insere, bem como dos fatores microeconômicos periféricos. Deixei para trás a ideia de punição sistemática (que todo “eco chato” possui) e comecei a olhar mais para a informação, o conhecimento, tentar entender os problemas e a visão que cada individuo tem do seu ambiente e sua relação com o mesmo, de não nos julgarmos sabedores supremos das soluções para os diversos problemas, mas ouvir muito quem os vive dia a dia, quem está inserido até a alma naquele contexto.

Um detalhe interessante que não poderia esquecer de citar, por causa da fundação da ONG Serra do Sambê, o então vereador Aissar Elias foi autor de uma lei, à época, que instituiu o dia 27 de maio como o dia municipal de meio ambiente. Isso há 17 anos. Não sei se a maioria das pessoas têm esse conhecimento. Por alguns anos, realizamos eventos exatamente para que a data fosse sedimentada, não caísse no esquecimento, mas precisamos encerrar as atividades da mesma por motivos profissionais de cada um dos sócios. Deixamos um legado e isso nos conforta de alguma forma.

Rio Bonito sofre muito, ambientalmente, pela falta de uma politica publica que envolva e coordene as ações dos vários atores naturais que estão, à disposição e ávidos, por desenvolver um trabalho voluntário que dê novos rumos à utilização de nossas riquezas naturais, principalmente os adolescentes, alunos de nossas escolas. É um trabalho de cidadania pura e plena. Podemos citar como exemplo os principais afluentes dos rios Bonito e Caceribu, que estão poluídos pela ignorância (o rio Bonito está morto). Suas margens, raramente, estão cercadas pelas matas ciliares naturais, suas águas sofrem com o assoreamento, entre tantos outros problemas. Nossas matas estão melhores do que há trinta anos atrás não pela presença de um trabalho constante de educação ambiental, mas pelas questões meramente econômicas, ou seja, êxodo rural, migração de pessoas do interior do município para a cidade e os problemas que esse fenômeno acarreta, já sabemos.

Porém, existe um potencial fantástico em nossa cidade que só alguns loucos desbravadores insistem (ou insistiram por anos) em realizar, em fazer acontecer. Peço licença para citar alguns nomes, mas insisto em desculpas a outros tantos por não lembrar nomes no momento em que escrevo essas linhas.

Confesso que não tenho acompanhado de perto os acontecimentos esportivos de Rio Bonito, mas posso afirmar, com total segurança, que estão muito aquém do que deveriam estar, do seu potencial. Infelizmente, a mola propulsora desse sucesso é a junção do voluntariado e do capital privado com as politicas públicas. A soma desse esforço será uma economia pujante, um município alegre nos fins de semana com pessoas de várias localidades. O nível das conversas muda radicalmente, as pessoas passam a se interessar por outros assuntos, a compartilhar conhecimentos diversos, é semelhante, em menor escala, à presença de uma Universidade conceituada na cidade, vetor de explosão de conhecimento e cultura.

Mas onde entram o Meio Ambiente e o Esporte no aumento de turismo? O potencial natural de Rio Bonito para esportes é fantástico, encantador, contagiante. A começar pela localização do município, quase equidistante do Rio de Janeiro, Região Serrana e Praias. Poderia citar alguns eventos que já foram realizados com sucesso absoluto num passado recente e que deveriam entrar num calendário anual cíclico:

1. Trilha a pé Rio Bonito já sediou este evento na Serra do Sambê e tem totais condições de fazer parte do calendário dos campeonatos Estadual e Brasileiro. Depois de sedimentado, colocamos mais de 100 pessoas em Hotéis num final de semana. Já participei de provas em Belo Horizonte. A estrutura é gigantesca, movimentando, por baixo, cerca de 150 pessoas entre participantes e organizadores. É ideal para essa modalidade porque, além das matas, trilhas e visões estonteantes, muitas fontes de água para refrescar os participantes.


2. Trilha de Bicicleta –
Lembro que ajudamos nosso amigo Peixe num dos eventos realizado por ele e sua equipe no “Green Valey”, aos pés da Serra. A cidade precisa fazer parte de um calendário anual consolidado porque as trilhas estão prontas.

3. Voo Livre – Sempre que vou às rampas da Serra do Mato Grosso e, de uma delas, vejo a Serra do Sambê, com todo seu potencial para a realização de Campeonatos e eventos de fim de semana, sempre vazia pela falta de estrutura, é um pesar. É inadmissível olhar para nossa rampa (ou a falta dela) e ver o quanto deixamos de receber pelo acesso precário e a falta da estrutura local. Além do mais, a visão do mar de Saquarema e das Serras ao redor é um colírio.

4. Enduros de Regularidade – Tanto faz se de carros 4X4 ou de motos. Rio Bonito nasceu pronto para esse esporte. É considerado um Paraiso das trilhas para Motos. Durante anos organizamos Enduros pelo Campeonato estadual. Nossos amigos Lobão, Alberto Sauerbron, Edson Brasil, Joubert Borges, Kazé, entre outros, batalharam sempre e, muitas vezes, com dinheiro do próprio bolso para que as etapas acontecessem. Tínhamos o ideal de colocar Rio Bonito no calendário Nacional com uma etapa do Campeonato Brasileiro, que se realiza no sábado e domingo. O Marcio (Garra 4X4) organizou alguns eventos de carros “Off Road”. Esses esportes trazem muitas pessoas com um bom poder aquisitivo nos fins de semana que se hospedam na cidade e consomem os bens produzidos localmente.

5. Motocross – Rio Bonito não pode ficar fora do calendário do Brasileiro de Motocross. Já realizamos várias provas de sucesso.

6. Capoeira – Nosso Mestre Carcará, Patrimônio de Rio Bonito, na sua incansável luta para desenvolver esse esporte, que além de saudável, faz parte de nossa cultura, relembra sempre nossas raízes africanas, nossa herança cultural maior.

Podemos citar ainda o futebol, vôlei, Handebol e por ai vai. Todo o tipo de competição e evento esportivo pode ser desenvolvido.

Existe uma necessidade premente do poder público ser o catalizador de todo esse potencial, de juntar todos os cidadãos que darão seu tempo e conhecimento voluntariamente para potencializar o projeto. O prazer dessas pessoas é ver seu esporte predileto ser realizado de forma organizada e com qualidade, sentir a alegria dos participantes e das pessoas que assistem. O investimento financeiro público é mínimo se houver um projeto sério, honesto e formado por grandes pessoas. A iniciativa privada contribui quando sente seriedade e sustentabilidade no evento, o voluntariado trabalha de graça pelos motivos já expostos e a coisa acontece.

E o meio ambiente? O que tem a ver com isso? A natureza é o maior atrativo para vários esportes acima citados e sempre que a economia é estimulada, mais se tende a preservar. Isso chama-se uso sustentável dos recursos naturais, ou seja, aproveitamos o melhor que temos, ganhamos dinheiro com isso e preservamos cada vez mais para que esse ciclo virtuoso não pereça. Porém, para se alcançar essa tal sustentabilidade e ter o nome da cidade a vigorar num calendário nacional, é preciso GESTÃO. Na minha modesta opinião, o poder público deve dar o inicio, o chamado ponta pé inicial, juntar esse potencial humano fantástico em cada modalidade distinta, escrever um projeto sério e bem ajustado à cada uma das necessidades, priorizar a QUALIDADE dos eventos e divulgar nos mais diferentes meios e formas.

Daqui a alguns anos, quando se tornar claro e próspero um calendário esportivo na cidade de Rio Bonito, todos ganham, abre-se uma enorme porta, inclusive, para a revelação de um grande potencial individual dentre nossa garotada, pois os eventos estimulam a prática de esporte local.
Em síntese, só temos a ganhar em todos os sentidos e a natureza, humilde e soberanamente, agradece.

 

Davi Henrique

Engenheiro Eletrônico e Ambientalista.

Fotos: Alex Hudson

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